sábado, 17 de julho de 2010

Culpado.






          Como eu queria te dá a felicidade inefável que tanto fiz juras. Toca-me muito saber que serão em vão meus esforços para tanto. Meu sacrifício de tentar te fazer resgatar a esperança, que perdestes em uma curva, e de súbito, te fez jurar não mais amar, será também em vão.
          Que solidão me acomete a escrever isto. Desde os primeiros contatos me senti perto de uma acolhida segura. Francamente, nós somos mais amigos, do que mesmo outra coisa, antes de namorados... Meu peito dói, quando penso: um dia hei de te deixar e guardar apenas... Lembranças...









Amauri Jr.

Coração.








Nunca se sabe o que se passa
Nas profundezas de um coração.
Que amores, que sangue
Circulam ao ver de certidão.







Amauri Jr.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Blogagem coletiva: Tempos de Criança"








A lembrança da chuva.


          O sono apressa meus passos até a cama, deito-me. Não demora muito e sou tomado pelo sono. E parece que me passa ser verdade tudo aquilo, eu me lembro bem de tudo. A verdade de uma criança. A sua própria forma de imaginar o mundo.
          Nos meus sonhos mais agradáveis estou agora. Lembrança da chuva. De paz e serenidade que ela traz. A sensação de completude que ela renova. Mas no meu sonho eu era... Criança ainda, que saudade, meus sete anos. Corria sossegado, entre as milhões de gotas que compunham uma parte de minha felicidade. E meus amigos comigo me sendo justos, correndo ao meu lado.
          As poças serviam de mar, o barro de areia, ficávamos a construir castelos que logo eram desfeitos pela força da correnteza da água que descia à rua. As pequenas ruas nem pareciam tão pequenas assim, assemelhavam-se mais a Veneza. O pensamento valia mais do que a realidade. Não tínhamos barcos para atravessar nossa singela e pequena Sereníssima. Era preciso imaginar, e como era bom fazer valer a força do pensamento.
          Mas a manhã não mais tardava, vinha depressa, tão quanto o sono veio. E ainda nos meus derradeiros momentos de alegria sobrenatural, me recordo da imagem: eu correndo, vento frio no rosto que fazia o lábio tremer; pele encharcada também trêmula. Corpo molhado, alma feliz. E o aconchego do leite morno debaixo do lençol quente que me cobria.







Texto em homenagem ao dois anos do Blog de nosso amigo Abraão Vitoriano!







Amauri Jr.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O poeta homem






















Os poetas, através de um filtro, veem o mundo.
Todavia, já me cansa o juízo filtrar a realidade;
Já muito me enfada tecer felicidade.
Transformar em límpido o imundo.

Não adianta mais falar de amores,
Não contenta mais o leitor.
Vi o profano se tornar sedutor.
Sucumbindo os risos e ascendendo as dores.

Deixo estas palavras, por fim,
Nos anos que irão de vir.
Que se lembre, ao sorrir,
De um homem que negou se entregar: de mim.







Amauri Morais.

Coração na madrugada sem o amor.






          Dedico-te meus sonhos mais íntimos. Veja bem o que há de fazer com eles. São bem serenos, umas vezes, outras são como o vento. Revelo-te meus desejos mais secretos. Observe-os e reflita se os pode concretizar. Quero-te como mulher, amo-te como amiga. Tu me queres como homem e me ama como amante. De fim, que não posso mais tardar: entreguei-me como um amor entrega-se; dediquei a realizar meus sonhos contigo. Revelei meus desejos para tu satisfazeres quais poderes. E te amo, tendo teu amor em troca, só mais não posso.









Amauri Jr.

sábado, 10 de julho de 2010

Distante de quem se quer...






Olhos inchados,
                        ... Molhados.
Coração quente,
                        ... Saudoso.
Pensamentos rebeldes,
                        ... Andantes.
Presença ausente,
                        ... Covarde.
Saudade devassa,
                        ... Cruel.
Sonho assaz,
                        ... Real.
Vontades muitas,
                        ... Tantas.
Amor eu tenho
                        ... Sou teu.
                                         ...








Amauri Jr.

Autopsicografia

























O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.







Fernando Pessoa.

Só.















Tão jovem sou,
E nem sei muito de nada
Nem metade de um fora
Ainda penso,
Mas vivo
Sozinho...









Morais Oliveira.

Por ti.






















Percebo em tua face
Ainda medo
De perder o que era teu
Antes de mim...
Mostro-te meu amor
Transbordando
Sobre tua face...
Tu me mostras teu desejo
Incrustado em teu laço...








Amauri Jr.

Distante...



















Ouço
Rumores
Dos teus passos
E sei que os quero,
Mas andam distantes
De mim...










Amauri Jr.