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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Eu era...




Não devo satisfação a ninguém deste mundo.
Deixo-o como, e quando, quiser.
A quem chora por mim?
Um dia hão de cessar suas lágrimas.
Aos que me guardam na lembrança?
Suplico que não a apague,
Mas, consolem-se, pois, vivo ainda,
Mesmo que seja em seus pensamentos.






Amauri Morais.

sábado, 10 de abril de 2010

Soneto Pós Morte




Desejo mais que tudo que queimem
Meu corpo após nosso despedir.
Na Natureza me quero sentir,
O vento no pó, à brisa me levem.

Nas flores, no mar quero existir.
Sentindo o desejo bem, me esperem;
Num fim de tarde sombrio me velem.
Com uma parte de ti vou me fundir.

Depois procurem onde emergir
E, bons votos, sempre, me desejem;
De alguns corações hei, um dia, de partir.

Lembrem: continuo sem nada fingir,
Nem com as lágrimas me flagelem
Voltem ao mar, ao ar para me sentir.






Amauri Morais.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Viver!

















Qual como flor que desabota em beleza,
E ao penetrar do sol no oeste do mundo,
Despede-se de sua delicada fineza,
Também sofremos demasiada tristeza.
Estalamos nossa alvorada, sol ao fundo.
Mas dispersamos os sentidos sem destreza,
Ao falarmos de desfalecer, contudo.
Mas me vale todo sofrimento à delicadeza
De uma vida embaixo de sete palmos de tudo.

Agradeça o ar que enchem de vida seus pulmões,
O amido que nutre seu corpo e alimenta a alma.
Viva suas veias repletas de sangue e orações.
Despreze o asilo, mas não destroce toda calma.
Serene suas lembranças e destaque suas emoções.
Acorde em jardim de rosas vermelha e alva.
Mesmo basta-se viver em ti coração valente,
Derramando a lágrima de uma dor ausente.





                                           Amauri Jr.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dormência.


E ao fim de infinda demência,
E minha mente parecer sonífera;
Temo a quem me tem clemência
Ser atacado por desmedida epífora.

E em pequenas epifanias
Deus iluminar meu pranto;
Que me enrole em seu manto.
E que perdoe minhas heresias.

Envolvam-me em chama ardente;
Do pó nasci, ao pó voltarei,
E meus restos ao ar, ao mar, eu destinarei;
Respirando, mergulhando me empreende.

Sinais de mim ao vento;
Sombras de eu ao mar;
Sonhem e lembrem de meu passar;
Relembrem de mim ao relento.





                   Amauri Morais.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Solto!


E se rio com desdenho?
E se choro de emoção?
E se mesmo sem ri posso ser feliz?
Nada contra o riso.
Todavia eu vejo a lágrima
Como maior manifestação de felicidade.
O paradoxo em que envolve a lágrima,
No sentido de reunir
dois sentimentos opostos, é nostálgico!
Fascina-me tudo, mais ainda a lágrima!





Amauri Morais.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Despedida de mim.





















Quando segredar-me a solidão,
E me haver perdido as esperanças,
Nenhum pranto se faça ouvir
A inundar meu coração.

Nem padeça por mim, meu Amor!
A ti entreguei toda minha vida.
Agora há de prantear novamente,
Não vale teu lamentável clamor.

Deixo apenas minhas palavras
A quem dorme em minha memória.
E aos que me amam sem nada querer.
Nem de mim nenhuma vez reclamara.

Que logo venha o verão,
Quando nele se figure,
Flores de abril viçosas
Em meu recanto de fim.

Não se lance tristemente
Olhares dormentes em mim,
Retinas lá estacandas
Que me vêem secamente.

Apenas quero um desejo:
Que na minha despedida
Possam-se escutarem
A voz daquele Manfredo.





Amauri Morais

Abjeção.









Eu não sou um covarde que pensa em tudo,
Mas, sou sim, um homem que vive o nada.
Gentil canto da abjeção amada,
Grito, pasmo, falo, fico imundo.

Fere-me saber, quando não queria,
Que dana-me percas de um sentimento.
E assim ando, continuo o meu lamento,
Todavia, lembro-me de quando ria.

Meu sorriso entristece, destrói!
Meu pranto alegra, me felicita!
Por isso digo que ele me constrói!

Feliz, me acho e, mais hei de está,
Quando mais tarde me achar, feroz,
Meu coração, o melhor me fará.




Amauri Morais.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vezes de mim!




Vezes de mim, me acho,
Instantes de mim, me perco.
Outros de si te faço,
Vermes crescem no esterco.

Roam minha fria carne,
Antes qu'ela endureça.
Que o fogo nela arde,
Todo de mim emudeça.





Amauri Morais.