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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Soneto à variedade do Amor II






















Falei de três tipos do Sentimento:
Do Amor que traz infinito sofrer;
Para o sofrimento alheio verter;
E dos que Amam, amando sem lamento.

Há também quem prefere o sofrimento
Escondendo de todos, seu querer,
Até do Amado se faz esconder,
O sentido doendo, sempre lento.

Quem por dois sente, pode padecer.
Sereno é o choro, sofrido é o talento;
Depois só lamento há de tecer.

Tem aquele que despreza um querer;
No entanto sofrem sozinhos, ao alento
Querendo, nos dedos, o querer ter.

 
 
 
 
 
 
 
Amauri Jr.

sábado, 10 de abril de 2010

Via Láctea


“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálido aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado-amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas.”






Olavo Bilac.

Soneto Pós Morte




Desejo mais que tudo que queimem
Meu corpo após nosso despedir.
Na Natureza me quero sentir,
O vento no pó, à brisa me levem.

Nas flores, no mar quero existir.
Sentindo o desejo bem, me esperem;
Num fim de tarde sombrio me velem.
Com uma parte de ti vou me fundir.

Depois procurem onde emergir
E, bons votos, sempre, me desejem;
De alguns corações hei, um dia, de partir.

Lembrem: continuo sem nada fingir,
Nem com as lágrimas me flagelem
Voltem ao mar, ao ar para me sentir.






Amauri Morais.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Soneto à variedade do Amor I.



Quantas maneiras existem de amar?
Esse ter sem ter, ganhar e ceder!
Fogo, gelo, faz coração arder;
Mesmo acordado te faz sonhar.

Há o sombrio que traz diverso sofrer.
Por melhor que seja há de penar;
Por pior que és vai querer humilhar;
Ou fiel sendo vai se perverter.

Há também o solidário querer.
Tendo o seu coração sempre a emprestar
A quem necessita sempre de amar!

E existe os que amam, só querem amar.
Tremem, riem quando ele parecer;
E amam sempre sonhando seu amor ver!




Amauri Jr.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Transformar.






















Mundo: fome, peste, ingratidão.
É isso que o Senhor nos quis destinar?
Somos destinados a fatigar?
Ninguém busca alguma solução!

Tanto poder, mais querem alcançar;
Imagino-nos igual um vulcão
Findar-nos-emos em erupção.
Ouviremos criança prantear.

Deus deu livre arbítrio, pensar!
Os homens construíram mundo cão,
Sua imagem ascederam ao altar!

Todos, tudo, pensam interpretar,
Levando o ser humano a extinção.
Correto mesmo seria transformar.



A Juvimário, companheiro que se reconstrói diuturnamente para não ser engolido pelo sistema capitalista: um jovem da transformação.


                                                       Amauri Morais.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Soneto do Sono Eterno.


Sono perverso da humanidade;
Em pleno dia reluz a escuridão.
Sua foice branca, todos provarão;
Sono que desata com crueldade.

Existe, consiste bem, liberdade!
Se não, logo superpopulação.
Não entendo tamanho pavor em vão;
Depois da dor não há fragilidade.

Herói e covarde, todos mansidão!
Sono que edifica igualdade;
Ao cessar dos olhos, escuridão.

Desabotoa a flor, tudo raridade.
Aos que cogitam absolvição,
Nem pensem que virá eternidade.


A Alison, meu amgio, criador da Teoria Mininiana! rsrs


                                                                                     

                                                                                                                                      Amauri Morais.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Abjeção.









Eu não sou um covarde que pensa em tudo,
Mas, sou sim, um homem que vive o nada.
Gentil canto da abjeção amada,
Grito, pasmo, falo, fico imundo.

Fere-me saber, quando não queria,
Que dana-me percas de um sentimento.
E assim ando, continuo o meu lamento,
Todavia, lembro-me de quando ria.

Meu sorriso entristece, destrói!
Meu pranto alegra, me felicita!
Por isso digo que ele me constrói!

Feliz, me acho e, mais hei de está,
Quando mais tarde me achar, feroz,
Meu coração, o melhor me fará.




Amauri Morais.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Efêmeros.


Louvo-te Senhor, criou-me humano,
Por em anjo não ter me transfrormado,
Melhor em ser inferior ter criado.
Não imagino ser um soberano.

Eu amo muito a minha inconstânca.
Quanto importa-me a eternidade?
Se nela não enxergo a liberdade!
Se o ser Altíssimo fez-me substância!

Sou feliz porque também sou mortal,
Eu triste seria se fosse um eterno,
Isto sim, far-me-ia infinito mal.

Enfim, cedo-me a todo fraterno,
De que adianta desejar esse tal?
Se ainda me falta amor paterno!





Amauri Morais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Utopia.


















Dormi nas trevas, acordei na luz!
O mundo um só Deus adorava!
E nenhum rei, nós, povo, coroava!
Não vivemos entre a espada e a cruz!

Nosso executivo trabalhava,
E este, ao seu, nunca, beneficiava.
A alegria em toda face transbordava.
Tudo de rosto alto se enfrentava.

O ouro a ninguém mais destrói, nem seduz;
Nem o dinheiro a ninguém mais induz.
Na fé nossas façanhas se traduz.

Assim exergando a forçosa luz,
Para escrever mais me inspirava.
O céu em tudo, finalmente reluz.





Amauri Morais.