domingo, 11 de setembro de 2011

Morte que nutre Vida!























Sou agora nutrição
De uma vida que desnuda beleza,
Que nasceu para deslumbrar.
Enquanto eu, não passo mais de adubo
Alimentando as cores delas
Que embelezam minha morada.
Vermelhas e amarelas
São as minhas preferidas
E as visitas ao lerem
Meu Epitáfio sabem o porquê...
Viver aqui é descobrir
O significado de paciência!










Amauri Morais. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Palavra!



























No sentido amplo do som,
Entendido e sentido de mim mesmo,
Tendo medo do silêncio...
Que é morte, que é nada...
Consigo respirar brandamente
Enquanto falo, depois que calo
Sufoco, falta-me o ar...
É como se não existisse.
Enquanto sinto, vivo, existo.
Mas se calo deixo de ser
Vegeto no jardim de mim...
Portanto, falo para poder viver!












Amauri Morais.

sábado, 6 de agosto de 2011

Amar é obsessão?




















Um segundo longe de teus braços
É uma tortura para meu coração
Que definha por não ter teus olhos
Perto dos meus, tua boca na minha.

O amor toca o meu íntimo como nunca,
Ou será que é a obsessão pela pessoa amada?
Quando a vontade de amar atropela os limites
Da individualidade da vida, já é obsessão.

Cada um tem a sua vida.
Não podemos anular a nossa para viver para
E por outra pessoa.
Pois nos atrapalhamos e atrapalhamo-la.

E viver em igualdade com o amante
Nada mais é do que se anular enquanto ser vivente,
Enquanto homem e mulher que ama:
Palavras são palavras e só!










Amauri Jr.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sem Razões do Amor!









Bagaço,
Casca amarga,
Sumo sem mel...
Eis o que se torna
Uma laranja quando reduzida
A duas metades...











Amauri Jr.

domingo, 17 de julho de 2011

"Blogagem Coletiva:Minhas Primeiras Leituras"






Gotas de Romance


















Decorreram-se doze setembros de mim...
E a Diva de Alencar revestia de brilho meus olhos,
Que se encantavam com a magnífica mágica
Que é viajar no universo da leitura...

Emília menina, sem atributos de beleza,
Tomada pela doença, é salva das mãos da morte
Por Augusto, que em devir lhe amará e será renegado
Pela linda mulher que a menina se tornou...

Mas é de amor que é feito o Romantismo
Do filho de minha terra...
E os namorados tiveram seus dias de felicidade:
Emília declara toda pureza e singeleza do seu amor...

Neste Romantismo do Alencar
É que se finca meu primeiro deleite
No mundo encantado das leituras
Da literatura que brotou e sem a qual não vivo mais...







Amauri Jr.

sábado, 16 de julho de 2011

Quando se ama...




















Eu amei sem medo, desprezo
Tornei-me o amor metamorfoseado em homem...
Isolei-me do manto negro das coisas mundanas
Para ter no amor o cobertor que aquece o frio...

Eu fiz minha a vontade alheia,
Deitei meus olhos somente a uma pessoa...
Cansei de ver meus ciúmes por deboche e loucura.
Amei demais, sofri demais, gostei demais...

E percebi que amor não se cobra,
Não se exige não se pede.
Não se fere não te ferem.
Simplesmente se ama, e só, e tudo...

Amar é dividir alegrias, vontades, sonhos...
Jamais será um ou dois, nem dois em um...
É um vendo na felicidade do outro
O seu próprio modo de ser feliz...










Amauri Jr.

domingo, 5 de junho de 2011

Sozinho Enquanto Eu...























Você acaba com meus planos, meus pensamentos,
Acaba por acabar meus sentimentos...











Amauri Jr.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Nascendo um Amor...























Que as palavras versifiquem meus sentimentos,
Que a nossa vontade nos tome,
Bebamo-la brindando o desejo,
Ter nas pontas dos dedos e nos lábios o sabor do querer,
Que dure o suficiente para ser eterno.










Amauri Jr.

sábado, 21 de maio de 2011

Vontades...





















Eu queria minha língua
Nu teu corpo.
A sensação de ser um enquanto dois,
O beijo abusado, o carinho atrevido.
Correr já não basta, eu quero galopar.










Amauri Jr.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Destino?






Erram entre os esgotos sujos e barracos de pau
Os reis que tem a arte na ponta dos pés.
São privados, porém, até do carinho...
Crescem respirando o ar contaminado
Com o cheiro de pneu queimado.
Os olhos observam a morte, raspando a dois centímetros
Da cabeça e do peito...
Tomam banho nos rios poluídos,
Andam por entre emaranhados de armas
De diversos calibres...
Limpando, na camisa, o sangue, que suam,
Para poder mastigar o alimento em decomposição.
Enxergam, vendendo balas nos faróis,
Meninos como eles, em carros do ano.
Sonham, enfim, com a felicidade
Longe do seu lugar e perto do seu lar.  








Amauri Morais.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Da vida, dos sonhos!









Sonhar é viver,
Viver é ilusão...
E é por isso que eu vivo
Iludido
Comigo mesmo...









Morais Oliveira...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Modernidade.




















Eu cansei de inventar de inventar
O meu mundo.
Além do mais, há décadas, eu parei...
Ou será que foi a máquina...?










Morais Oliveira...

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa.


























No Pretório iniciou-se a caminhada:
Nas costas, Ele carrega o peso dos pecados do mundo;
Nas chagas sagradas
A carne e o sangue, que são vida;
No coração o Amor incondicional.

A dor de ser Rei com a Suma coroa de espinhos...
Insultos do povo, pelo qual deu a Vida...
O Amor de mãe que não se faz morrer...
A fé no cumprimento das escrituras...
És Semente milagrosa do Perdão Divino...

No Calvário: as pancadas que atam pulsos e pés.
Braços abertos, olhos eclipsados, peito aberto,
Perdão a quem lhe tirou a vida, medo de está sozinho.
Três dias depois...
Ressurreição da carne e do sangue, que são vida...










Morais Oliveira.

A vós correndo vou, braços sagrados
























 A vós correndo vou, braços sagrados,
 Nessa cruz sacrossanta descobertos,
 Que, para receber-me, estais abertos,
 E, por não castigar-me, estais cravados.

 A vós, divinos olhos, eclipsados
 De tanto sangue e lágrimas abertos,
 Pois, para perdoar-me, estais despertos,
 E, por não condenar-me, estais fechados.

 A vós, pregados pés, por não deixar-me,
 A vós, sangue vertido, para ungir-me,
 A vós, cabeça baixa p‘ra chamar-me.

 A vós, lado patente, quero unir-me,
 A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
 Para ficar unido, atado e firme.










Gregório de Matos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Diário de um brasileiro (des) marginalizado.










Três anos depois...
           

Não é fácil organizar movimentos de protesto, no duro. A gente tem que correr atrás de um monte de pessoas e, na maioria das vezes, poucas pessoas querem ir. Eu gasto todo o meu tempo livre fazendo estes movimentos pacíficos de protesto. O que mais desanima é que não tem muitos resultados. Além de a gente apanhar pra caralho daquele bando de filho da puta da polícia. Aquele bando de pau mandado não muda nunca, sempre estão a serviço do “bem comum,” se é que me entendem.
Eu conheci um cara bem legal e tudo, fora de brincadeira. Ele é meio metido à intelectual e estas coisas aí. O nome dele é Maurício. Ele me deu a droga de um... Não eu não acho que livros sejam mais drogas, isto mesmo, ele me deu um livro para ler. Antigamente eu ia dizer, com certeza: ele me deu a droga de um livro para ler, mas hoje não penso mais assim. Os livros são instrumentos capazes de transmitir informações necessárias, tem outras formas, é claro, mas o livro é uma das mais confiáveis. Bom como eu ia dizendo, o Maurício me deu um livro sobre a história do Che Guevara. Eu procuro me espelhar no que aquele homem fez, mesmo sabendo das dificuldades para se fazer o mesmo aqui no Brasil.
O Maurício me apóia bastante em minhas manifestações. Mas é difícil aguentar bala de borracha e gás de efeito moral em toda movimento. Mas ele me dá forças e eu não desisto mesmo. O meu amigo intelectual me disse uma coisa sensacional, ele disse umas palavras bonitas e tudo: “Tudo quanto é vivo carrega em suas costas a morte!” ele me explicou o sentido disto. Maurício quis dizer que tudo que começa um dia acaba. Eu acho que aquele bando de safados, eles mesmo: policiais, juízes, promotores, deputados, senadores, governadores; eu acho que esta corja pensa que vão continuar com esta corrupção e tráfico para sempre. Eu estava pensando em escrever uma carta para eles dizendo a frase do Maurício. Mas eu não tenho o endereço deles; podia mandar um e-mail, mas não tenho computador e o meu dinheiro não dá pra eu acessar nem meia hora numa lan house.
Outro dia fomos fazer um protesto pra aumentar o salário dos professores. Fomos praticamente massacrados pelos filhos da puta dos policiais. O engraçado é que o trabalhador, aqui no Brasil, ganha um salário miserável, mas as drogas dos deputados e senadores estão sempre querendo aumentar os seus salários e diminuir o salário de vereadores, funcionários públicos aposentados. E os merda destes filhos da puta de legisladores e executores falam sempre em cortar custos. Isso me irrita e acho que deve irritar muito de vocês também. Se eles querem tanto cortar custos por que não diminuem os seus salários?
Outro dia eu fui visitar a mulher de um amigo meu. Este meu amigo estava tentando abrir uma cooperativa de catador de lixo. Os dois primeiros projetos foram desaprovados pela droga do banco. Mas este meu amigo não desistiu. Ele ficou oito anos tentando e só foi conseguir este empréstimo depois que entrou na presidência da república um operário. Este meu amigo foi morto e foi este o motivo da minha visita. O Cláudio, este era o nome do meu amigo, foi reclamar de uma empresa que estava jogando detritos dentro de um rio, onde as crianças costumavam tomar banho e se divertir. Ele foi à imprensa, fez protesto com os moradores. Na primeira oportunidade dois policiais filhos de uma puta mataram o Cláudio. Deram a mesma desculpa de sempre: “Eu tive que atirar, ele estava mirando um revólver pra mim!” arrumaram até um revólver lá. Eles sempre dão o jeito deles.
Sinceramente, eu, José Batalha, não acho que nosso país tenha muita liberdade de expressão não. Ora, aqui você não pode falar nem a verdade que já te mandam pra um buraco, quanto mais falar o que quer. O pior é que algumas emissoras de Televisão (quase unanimidade) estão ao lado destes cretinos. As emissoras se dizem livres, mas na verdade, elas nunca mostram todos os lados da história; maquiam as informações para a gente pensar que quem estão errados são os sem terra, sem teto, sem comida, etc. Sempre quem se fodem nesta merda de país são os pobres. Então como se tem liberdade de expressão em um país em que até a imprensa está comprada pelos corruptos lá do congresso?
Eu o Maurício estamos tentando dá um jeito de trazer algum projeto bacana do Governo Federal pra aqui na comunidade. Mas o negócio é que as merdas dos governadores roubam metade da verba, aí o prefeito vai e rouba a metade do sobrou, o que sobra é aplicada só a metade porque tem as “despesas” para implantar o projeto numa comunidade como a nossa. Uma vez teve uma menina que veio trabalhar aqui. Eu perguntei a ela porque que a merenda dos meninos que deveriam dá para seis meses, dava apenas para duas semanas. Ela me disse um bocado de coisas, mas o que mais me interessou foi quando ela disse: “Aqueles ladrões roubam toda a verba que devia ser aplicada aqui.” Eu gostei das palavras, ela dizia isso com um sentimento de raiva e vontade de justiça.
O meu amigo Maurício me coligou, ou qualquer nome assim, em um partido político aí. Ele disse que vai me candidatar a prefeito desta merda de cidade. Mas eu achei a ideia uma babaquice. Eu nunca que vou ganhar as eleições deste ano.  Mas mesmo assim eu aceitei a proposta dele. O Maurício tem até uns amigos estudantes que estão dispostos a entrar nessa comigo, no duro. Vão fazer um movimento estudantil para me apoiar. Tomara que dê certo mesmo. Afinal, ultimamente andam elegendo até palhaço, digo humorista. Deixa isso pra lá, o que importa agora é a minha campanha. Eu vejo nas portas, do pessoal daqui da comunidade, o meu retrato: José Batalha, A mudança tem que começar. Este foi o slogan que arranjaram pra mim. Foi o pessoal lá do Maurício, achei bonito e tudo, gostei mesmo, não tem frescura, nem nada.
Eu estou aqui em cima do palanque o povo gritando o meu nome. Todos depositam em mim a esperança de ver nossa cidade melhor, com verdadeiras mudanças e melhoras em todas as comunidades carentes. Eu vou fazer tudo, possível e impossível para mudar de verdade este cenário e tudo, no duro. Agora eu não posso mais dizer nada aqui, pois está na hora do meu discurso. Mas eu digo que devemos dá confiança a todos, pois a mudança tem que começar, de verdade, no duro.            












Amauri Morais...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ao Trovador, Os Versos!







Aos néscios, que em animálias,
Intentam figurar os nobres guerreiros,
Aqueles ignóbeis, que não fazem mais
Do que agir,
Eu deixo a última fagulha
De sorriso de minha humilde sabedoria.

E se meu peito abre a chaga disforme,
Sangra, puro líquido da vida,
Nada temo, nada me amedronta:
Somente com sangue, e muito,
É que se fazem as grandes conquistas.
Coragem é preciso: eu a tenho, e tu que tens?









Amauri Morais.

sábado, 9 de abril de 2011

Sonhar sentindo.






















Êxtases, sonhos, noites:
Treva inválida, esperança dissonante, torpor doentio.
Sorte descarada a nossa de sentir:
Simplesmente não sentimos; ou não tardamos a sentir.
Eu penso a noite em meu humor melancólico,
Mas vivo os sonhos doentes de ontem,
E os que vou sonhar adiante.   









Morais Oliveira.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Nego Drama.

























Nego drama,
Entre o sucesso e a lama,
Dinheiro, problemas,
Inveja, luxo, fama.

Nego drama,
Cabelo crespo,
E a pele escura,
A ferida, a chaga,
A procura da cura.

Nego drama,
Tenta ver
E não vê nada,
A não ser uma estrela,
Longe meio ofuscada.

Sente o drama,
O preço, a cobrança,
No amor, no ódio,
A insana vingança.

Nego drama,
Eu sei quem trama,
E quem tá comigo,
O trauma que eu carrego,
Pra não ser mais um preto fudido.

O drama da cadeia e favela,
Túmulo, sangue,
Sirene, choros e vela.

Passageiro do brasil,
São paulo,
Agonia que sobrevivem,
Em meia as zorras e covardias,
Periferias,vielas e curtiços,

Você deve tá pensando,
O que você tem haver com isso,
Desde o início,
Por ouro e prata,

Olha quem morre,
Então veja você quem mata,
Recebe o mérito, a farda,
Que pratica o mal,

Me vê,
Pobre, preso ou morto,
Já é cultural.

Histórias, registros,
Escritos,
Não é conto,
Nem fábula,
Lenda ou mito,

Não foi sempre dito,
Que preto não tem vez,
Então olha o castelo e não,
Foi você quem fez cuzão,

Eu sou irmão,
Dos meus truta de batalha,
Eu era a carne,
Agora sou a própria navalha,

Tim..tim..
Um brinde pra mim,
Sou exemplo, de vitórias,
Trajetos e glorias.

O dinheiro tira um homem da miséria,
Mais não pode arrancar,
De dentro dele,
A favela,

São poucos,
Que entram em campo pra vencer,
A alma guarda,
O que a mente tenta esquecer,

Olho pra trás,
Vejo a estrada que eu trilhei,
Mó cota
Quem teve lado a lado,
E quem só fico na bota,
Entre as frases,
Fases e várias etapas,

Do quem é quem,
Dos mano e das mina fraca,

Hum..

Nego drama de estilo,
Pra ser,
E se for,
Tem que ser,
Se temer é milho.

Entre o gatilho e a tempestade,
Sempre à provar,
Que sou homem e não covarde.

Que deus me guarde,
Pois eu sei,
Que ele não é neutro,
Vigia os rico,
Mais ama os que vem do gueto,

Eu visto preto,
Por dentro e por fora,
Guerreiro,
Poeta entre o tempo e a memória.

Hora,
Nessa história,
Vejo o dólar,
E vários quilates,

Falo pro mano,
Que não morra, e também não mate,

O tic tac,
Não espera veja o ponteiro,
Essa estrada é venenosa,
E cheia de morteiro,

Pesadelo,
Hum,

É um elogio,
Pra quem vive na guerra,
A paz nunca existiu,
Num clima quente,
A minha gente soa frio,
Vi um pretinho,
Seu caderno era um fuzil.

Um fuzil,
Negro drama.

Crime, futebol, música, caraio,
Eu também não consegui fugi disso aí.
Eu so mais um.
Forrest gump é mato,
Eu prefiro conta uma história real,

Vô conta a minha....

Daria um filme,
Uma negra,
E uma criança nos braços,
Solitária na floresta,
De concreto e aço,

Veja,
Olha outra vez,
O rosto na multidão,
A multidão é um monstro,

Sem rosto e coração,

Hey,
São paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,
É a torre de babel,

Famíla brasileira,
Dois contra o mundo,
Mãe solteira,
De um promissor,
Vagabundo,

Luz,
Câmera e ação,

Gravando a cena vai,
Um bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem pai,

Ei,

Senhor de engenho,
Eu sei,
Bem quem você é,
Sozinho, cê num guenta,
Sozinho,
Cê num entra a pé,

Cê disse que era bom,
E a favela ouviu, lá
Também tem
Whiski, red bull,
Tênis nike e
Fuzil,

Admito,
Seus carro é bonito,
É,
Eu não sei fazê,
Internet, video-cassete,
Os carro loco,

Atrasado,
Eu tô um pouco sim,
Tô,
Eu acho,

Só que tem que,

Seu jogo é sujo,
E eu não me encaixo,
Eu sô problema de montão,
De carnaval a carnaval,
Eu vim da selva,
Sou leão,
Sou demais pro seu quintal,

Problema com escola,
Eu tenho mil,
Mil fita,
Inacreditável, mas seu filho me imita,
No meio de vocês,
Ele é o mais esperto,
Ginga e fala gíria,
Gíria não dialeto,

Esse não é mais seu,
Hó,
Subiu,
Entrei pelo seu rádio,
Tomei,
Cê nem viu,
Nóis é isso ou aquilo,

O quê?,
Cê não dizia,
Seu filho quer ser preto,
Rhá,
Que irônia,

Cola o pôster do 2Pac ai,
Que tal,
Que cê diz,
Sente o negro drama,
Vai,
Tenta ser feliz,

Ei bacana,
Quem te fez tão bom assim,
O que cê deu,
O que cê faz,
O que cê fez por mim,

Eu recebi seu tic,
Quer dizer kit,
De esgoto a céu aberto,
E parede madeirite,

De vergonha eu não morri,
To firmão,
Eis me aqui,

Voce não,
Se não passa,
Quando o mar vermelho abrir,

Eu sou o mano
Homem duro,
Do gueto, brow,

Obá,

Aquele loco,
Que não pode errar,
Aquele que você odeia,
Amar nesse instante,
Pele parda,
Ouço funk,

E de onde vem,
Os diamante,
Da lama,

Valeu mãe,

Negro drama,
Drama, drama.

Aê, na época dos barraco de pau lá na pedrera onde vcs tavam?
O que vocêis deram por mim ?
O que vocêis fizeram por mim ?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
Agora tá de olho no carro que eu dirijo
Demorou, eu quero é mais
Eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice blue, edy rock e klj, e toda a família
E toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou
A geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21
É desse jeito
Aê, você saí do gueto, mas o gueto nunca saí de você, morou irmão
Você tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho ni você, morou
Sabe por quê?
Pela sua origem, morou irmão
É desse jeito que você vive
É o negro drama
Eu não li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí dona ana, sem palavra, a senhora é uma rainha, rainha
Mas ae, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é
Renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!

























Racionais MC's

domingo, 3 de abril de 2011

Despertar de uma paixão!





















Das madrugadas gélidas,
Que abrasam meu peito,
Guardo, com louvor de quem ama,
Uma lembrança sincera:
Os teus Olhos, cor de mel,
Daquela tarde apaixonante.










Amauri Jr.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ser Errante!









Por que há de ser Deus,
Quem irá punir minhas vontades insaciáveis?
Será que eu, Ovelha Desgarrada, serei condenado
Às chamas ardentes, pelo Cordeiro do Senhor
Por ser eu, simplesmente um humano?
Se os meus os erros são de mim mesmo,
As virtudes sagradas são de Ti mesmo;
Tu Tens em tua essência o dom do perdão,
E eu tenho em meu sangue a humildade de me redimir.
Que farei, Deus meu,
Para descansar no repouso da luz
De tuas asas douradas?
Se tanto tenho feito para este intento
E quanto mais faço,
Mais percebo minha condição de errante. 










Morais Oliveira.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Fome.









Como ousa sangrar-me a dor imbuída, lacuna ferida em meu peito de aurora?
            - Chega! Não me vale mais, agora, tentar ser aquilo que o arco-íris não me deixa ser. Tentar ser luz, ser cor, apenas desnuda minha sombria treva incandescente. De que adianta, eu, ser da lama dos pântanos mais fétidos, tentar ser unicórnio de asas douradas? Nada! Todos sabem de mim, o que sou e o que busco ser em minhas palavras. Se a vida é paradoxo, cansei de ser mais um exemplo nítido falando de Amor...
            - Que minhas chagas dolorosas sejam tocadas pelas luzes de teus olhos. Cura perfeita, eu tenho em ti, minha honesta aurora de ontem, hoje, amanhã e sempre... Afasta de mim os males que me abalam a fé. A luz fosca, agora dá lugar as sete cores que alegram meu destino...
            - Alegria! Quão dessemelhante de meu cotidiano tu te encontras. Que cura há de ter as minhas chagas podres? Os vermes nelas já fazem moradia e eu sangro sozinho. A cada dia já sinto que uma parte de mim já se está no buraco. Primeiro foram minhas pernas; tirando-me a possibilidade de fuga. Depois minhas mãos; arrancando-as e junto com elas levando minhas chances de defesa. Agora, que posso eu fazer, a não ser derramar sangue dos meus olhos?
            - A sabedoria me inflama a alma. Este canto doce te cala, lado obscuro da vida. Estamos cada vez mais próximos da primavera. E tua curta existência está se findando. Tu duras não mais que um sorriso aberto, que o sentimento de amor paterno. É com a chegada de setembro e, com as flores de perfume sensível que louvamos o teu fim.
            - Chega de mentiras! Tu és o meu lado falso. Cansei de ti, efemeridade diabólica. Eu contarei tudo. Calas-te e só abre a boca quando solicitado, verme infame. Se o meu hálito hoje fede a lama, meu corpo desata nojo foi por tua causa, semente maligna do jardim traiçoeiro.

***

            Chovia muito em minha terra natal, naquele dia. Aquela chuva inundava de lama todas as casas da redondeza. Eu sentia o cheiro das fezes dos porcos, que eu criava. E foi por causa deles que aconteceu tudo... Não havia colheita digna fazia cinco anos. Sucedendo os anos de pouca chuva com os de inundação.
            Em nossa cidade, o caos não se instalava por não faltar almas caridosas que nos estendessem as mãos com algumas migalhas. Mas a cada dia estas migalhas iam se escasseando. Este ano, quem as conseguisse teria a garantia de mais alguns dias de vida.
            Minha cabana não protegia muito da chuva. Eu me encolhia em um lugar onde menos molhasse. O vento soprava na janela, batendo-as. O capim não se ondulava tanto: a lama e a água encharcavam-o. E os porcos faziam um barulho penoso e desafiante. Ainda resta um pedaço de pão duro. Corro em sua direção, a faca o perpassou e frito um pedaço de Jane para rechear o pão.
            - Como eu te amava, Jane. Se a tuberculose não te tivesse arrancado dos meus braços, em pouco tempo, estaríamos correndo no relvado e colhendo as flores que tanto te agradavas.
            Mas carregou-a. e hoje eu tenho que aproveitar sua carne. Amanhã matarei os outros dois porcos que sobraram. Já está em tempo. Hoje, enquanto chove, a carne de Jane me nutre e me dá o privilégio de viver mais algum tempo. O pão estava com marcas de mofo, com pedaços ruídos por ratos, mas me saciou a fome que me saciaria.
            O dia vai nascendo e o sol que devia alegrar, acaba aquecendo por demais e queimando a pele enrugada do frio da noite passada. O calor fervia o sangue ressequido, as várias faces da fome se desenhavam diante de mim.
            Vários pés manchados da lama fétida, que inunda as redondezas de minha casa, aproximaram-se de mim e de meus porcos. Eu senti aqueles pés pesados invadirem meu quintal. Já estava próximo do que era meu para defender o que me restava de sustento. O meu facão era afiado, todavia eram muitos os que vinham me roubar; e a sua fome era maior do que sua vontade. Ainda cortei alguns braços, cabeças e mãos.
            - Ó fome desolada dos bons homens. Tu transformas em assassino a mais bondosa das almas. Perversa, entristece a companhia amiga de quem recolhe amor ao sonho de anjos.
            Mas eram muitos. E quando conseguiram me abater nas costas deitaram meu corpo e espancaram-no com o que lhe dava a terra, e alcançavam as mãos. O golpe certeiro arrancou uma perna minha; as outras também a arrancaram sem piedade. E para pôr fim a minha tentativa de defesa:
            - Agora arrancarei tuas mãos, infame desgraçado. E assim, saberás o que é tentar tirar pão e carne de quem tem fome.
            Esta voz desesperada atravessou os meus ouvidos e a faca arrancou as minhas mãos. Só então percebi que eles lutavam pela vida, assim como eu. E se foram levando o meu sustento esfaqueado e comido quase cru. E cá eu fico derramando as minhas últimas gotas de vida, digo sangue. 










Amauri Morais.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Aos que um Dia Choraram por Amor







Não chore tua essência desnuda
Em minh’alma mensurada.
Se me inundo de um sorriso amargo,
Também derramo meu pranto solitário.
Não me arranque o pedaço de mim
Que ainda carregas em ti;
Se te amedronto por minha sanidade exposta
Acalento-me com a decência fúnebre.
E amo o Sol que me arde a pele,
A Lua que me alva o peito.
Enfim...
Estamos condenados à escolha! 










Amauri Jr.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diário de um brasileiro (des) marginalizando






Um ano depois...

            Eu até que estou feliz e tudo. Minha vida é ruim mesmo, basta eu passar três dias sem levar chuva no lombo ou ovos na cara que já fico feliz, muito feliz. Também não levei nenhuma reclamação do meu chefe nestes três dias. Estou me sentido o máximo, fora de brincadeira. Eu estou me sentido como qualquer idiota desses que aparece na televisão por alguns segundos e se acham a ultima bolacha do pacote e tudo. Fora de brincadeira.  
            Eu antes tinha falado que não gosto muito de política, mas eu acho que mudei de opinião mesmo, no duro. Quer dizer, não sei bem se mudei totalmente, mas eu mudei alguma coisa sim. Um amigo nosso aqui da comunidade resolveu se candidatar a vereador desta droga de cidade sabe? Aí eu resolvi que ia votar nele e tudo. Ele até me deu um guarda-chuva. Eu disse a ele que levava uma chuva de vez em quando e ele no outro dia me apareceu com esse guarda-chuva. Pensei em contar a ele dos ovos, mas achei difícil ele encontrar alguma coisa para empatar deu levar as ovadas na cara. Fiquei calado, foi bem melhor.
            Eu mudei muito de opinião quanto à política, no duro. Não que tenha mudado de opinião quanto aos deputados e senadores, são os mesmos filhos da puta de sempre, mas eu acho que nós podemos mudar. Se realmente colocarmos pessoas que nos valham lá, no palácio, ou onde seja que eles fiquem, acho que podemos mudar. Afinal de contas, quem escolhe eles é a gente mesmo, não é mesmo? Sabe, eu nunca tinha pensado nisto. Mas depois de algum tempo me veio esta ideia. Acho que não é de toda ruim.
            Como eu ia dizendo, o João, o nosso amigo daqui que vai se candidatar a vereador, ele nos chamou para um comício e tudo. Não sei se sou bem amigo, amigo dele, mas ele me deu o guarda-chuva e... Bem isso não importa, o que importa é que ele chamou a gente para o comício. Foi a maior zueira e tudo. Até que foi divertido vê aquele bando de idiotas gritando o nome de outro idiota que a maioria nem sabia quem é. Eu cansei minhas pernas, nós andamos mais de dois quilômetros, eu tenho muito pouca resistência para longas caminhadas, acho que deve ser porque não ando muito, ou é a comida que é pouca, ou sei lá. Eu me divertir pra caralho naquele dia. Era muito engraçado vê os caras gritando e tudo, e gritavam por uma dose de cachaça ou coisa do tipo. Era o máximo.
            Só que eu não gostei mesmo foi do que aconteceu quando nós voltamos do comício. Voltávamos do comício quando uma invasão dos homens de preto da policia acontecia na nossa favela. A droga daquela policia quando entra lá no morro é só pra matar gente. E foi isso que aconteceu com o meu amigo Fred Bossa New. Ele foi atingido por uma droga de uma bala perdida, a merda da bala acertou mesmo na cabeça dele. Os traficantes reagiram à invasão e começou o tiroteio do caralho. Eu tive tempo de chegar em meu barraco e vê todo mundo abaixado e, também me abaixei assim que consegui chegar e tudo, mas o tadinho do Fred foi pego assim que colocou os pés lá no morro. Desta vez quem morreu foi o meu vizinho. Sempre morrem inocentes quando aqueles filhos da puta sobem até aqui.
            Eu falei da morte do Fred Bossa New para o João e ele me disse que se eleito ia cuidar em fazer algum projeto para vê se tirava a gente daquele morro. Algo como uma vila de casas populares pra gente e tudo. Eu gostei da ideia. Uniria o útil ao agradável, além de evitar o tráfico por algum tempo também ia nos impedir de ir morar em baixo daquela ponte que eu gosto tanto. Eu disse acabar por um tempo o tráfico de drogas porque eu sei que o tráfico, no Brasil, não acaba assim tão fácil. Primeiro que quem manda mesmo é os bichões grandões lá do congresso. Eles achariam um jeito de implantar as drogas na nossa comunidade outra vez. Sempre acham. Agora eu tratei de ser cabo eleitoral número um do João. Ele tinha muitas outras ideias muito boas e tudo. Seria o máximo se ele fosse eleito.
E, enquanto isso, continuava a putaria com a nossa cara. Desta vez eles montaram a porra duma ONG aqui na comunidade. Para quem não sabe o que é a merda de uma ONG eu vou dizer o que é. Uma ONG é uma merda de um lugar aonde as crianças vão lá brincar, ler, comer alguma coisa e tudo. Mas acontece que lá nem sempre tem livro, ou comida, ou bola, ou qualquer outra porcaria que o valha para as crianças brincarem. Dizem que existem algumas OGN que funcionam mesmo, no duro, mas esta daqui da nossa comunidade só serve para recolherem dinheiro de doações para eles próprios. Pois é, abriram a ONG já está bem com dois meses. E não mudaram merda nenhuma aqui na favela. Tem uma menininha que trabalha na ONG, ela é daqui. Estão pagando um salário a ela e tudo. Acho que isto foi a única coisa que fizeram de bom aqui.
Amanhã é a eleição e o João tem uma grande chance de se eleger. Ele teve que receber ajuda dos caras lá do centro. Ele explicou pra gente e tudo. Explicou que sem o dinheiro deles não teria como se eleger, nem nada. É claro que nós entendemos, afinal de contas, nós precisamos de uma pessoa nossa lá na Câmara. Por falar em centro, a cada dia que vou lá fico com mais raiva e revolta dos filhos da puta do prefeito e governador desta merda de cidade e estado. Vocês podem achar que é marcação e tudo, mas não é. Toda vez que vou na porra daquele centro eu fico tropeçando e caindo nas bostas daqueles buracos da calçada. Não preciso nem falar dos caralhos dos buracos no meio da avenida. Mas até que eu acho bom aquele buraco no meio da avenida, só assim aqueles filhinhos de papai filhos da puta que jogam ovos na gente se fodem juntos com seus carrinhos. Tenho um prazer imenso quando vejo um filhinho de papai filho da mãe com o pneu do carro furado parado num canto da rodovia, ou com outro defeito no carro, no duro.
O João foi eleito. Vocês precisavam ver no dia das eleições. O bando de gente jogando ele pra cima e tudo, depois que saiu a apuração disseram que ele tinha sido eleito e tudo. Eu fiquei feliz pra burro quando soube que ele foi eleito. Ele fez uma festona daquelas. Eu comi até um pedaço de carne bem grande, que nem parecia com aqueles pedaços de osso que eu como, e tomei um copo inteiro de cerveja e tudo. Foi muito boa aquela noite, eu enchi a barriga mesmo naquela noite, no duro.
Depois de uns dois meses que o João tava lá na Câmara eu fui falar com ele. O João não tinha feito nada do que ele tinha dito. Ele me veio com uma conversa bonita que todos os outros políticos usam me dando desculpas e tudo. Dizendo que aqueles projetos levavam tempo, que a gente precisava ter calma. Aquilo tudo me irritou profundamente. Eu sei que leva um tempo pra as mudanças acontecer, mas será que eles não vêem que nós precisamos de mudanças pra agora? Que tem gente morrendo de tiro, de fome, de verme, de dengue e tudo?
Eu me despedi do João com a certeza de que ele não ia fazer nada por nós. Ele tinha se tornado um deles, até a conversa tava a mesma deles e tudo. Puta que o pariu, aquele filho da mãe tinha enganado a gente direitinho. Uns três meses depois eu mandei meu filho ir na Câmara algumas vezes. Ele foi umas três semanas. Estes sacanas além de trabalhar uma vez por semana ganham cem vezes mais que nós. Meu filho disse que o João não falou em nenhum projeto, nem nada, nas vezes que ele foi lá. O João só agradecia a gente grande e lamentava mortes no morro e agradecia a gente grande e dizia de problemas no morro e agradecia a gente grande. Mas não fazia porcaria de ação nenhuma. Mas eu acho que nas próximas eleições ele vai aparecer aqui pedindo voto.           
Foi aí que eu comecei a ver que se a gente quer que mude alguma coisa aqui na comunidade a gente mesmo tem que ir atrás e lutar e tudo. Porque hoje quase ninguém mais merece confiança, nem nada. Eu mesmo, a partir de agora, é quem vou trás dos interesses nossos aqui da comunidade. Eu vou lutar por todo mundo daqui. Meu nome agora não vai ser mais só José, e sim José Batalha!










Amauri Morais.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Teus olhos!






Olhos abusados
De inocência delirante
Chamas intensas
De sumo prazer
Chove lá fora
E tudo, lembra teus olhos
O cheiro de terra e folhas molhadas
O frio que enruga a pele
A saudade que desola o coração
Todos! Dão-me vontade de abandonar tudo
Mas a tua presença
Obriga-me a viver contra a morte.









Amauri Jr.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Jardim da Vida.




















Há quem diga que a vida é um árduo e perverso caminho.
Cheio de obstáculos vis, pedras desonestas, ladeiras torturantes;
E ainda somos obrigados a carregar um penoso fardo.
Creio eu, em meus devaneios loucos, que seja um pouco diferente.
Uma melhor metáfora pode ser aplicada nesta tentativa de conceituação:
A Vida é um imenso jardim; coberto de luz e treva.
Um lindo jardim, repleto das mais belas flores, rosas, árvores, ervas...
Fragmentos de vida escondem, por detrás de sua beleza, riscos homicidas.
As flores podem provocar alergia, com os seus doces e fantásticos perfumes;
As rosas podem ferir a mais ágil mão, com seus espinhos;
As árvores podem derrubar o mais sagaz, com seus galhos podres;
E as ervas podem tirar a vida, com os seus venenos traiçoeiros.
Até mesmo na beleza incontestável reside o perigo...
E se não existissem os riscos, o tédio seria o dono ações viventes.











Morais Oliveira.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Diário de um brasileiro marginalizado.










“- Pro chão vagabundo!”
            Odeio quando esses filhos da puta de farda e estes bonés ridículos dizem isto. E o pior é que a gente num pode nem culpar estes bundões por isso.  Eles obedecem ao chefe de polícia, que obedece ao subsecretário de segurança, que obedece ao secretário de segurança, que obedece ao governador, que é influenciado pelos deputados, que são influenciados pelos senadores, enfim... Esta corja de hipócritas; eles pensam que podem tudo, que sabem tudo e claro, eles também pensam que são o tudo. Odeio esta gente nojenta, pra falar a verdade quando é em tempo de eleição eu nem voto, nem nada. Só de pensar que vou vê a cara daqueles palhaços lá na urna já me dá náuseas.
            A porra do policial me mandou levantar e encostar no carro para me revistar. Droga eu nem era traficante nem nada. Só porque eu era da favela e estava saindo de lá naquela hora aqueles veados vieram me aporrinhar. A vontade que me dava era mandar ele ir tomar no cu, ele e os amiguinhos dele, que assistiam aquela cena rindo. Bando de pau mandado do caralho. Mas eu fiz tudo o que ele mandava. Afinal de conta eu ainda queria viver mais uns dias desta vida imunda e sebosa. Não é legal quando se é um trabalhador e os tiras metem uma bala na cabeça da gente e dizem pra todo mundo que você é traficante, e ainda, se possível, enfiam uma arma deles na cintura da gente.
            Depois de terminar de me revistar e vê que eu não carregava nada de droga, o filho da puta encontrou em meu bolso o meu cheque do pagamento do mês. Eu tinha de levar para trocar na hora do almoço, eu não tinha tempo em outro horário. Trabalhar nesta merda de país é assim mesmo. Além de não almoçar enfrentando a porra de uma fila que dobra o quarteirão, ainda teria de escutar reclamações do patrão por eu ter chegado dez minutos atrasado. O merda do policial queria ficar com o cheque para ele, disse que era um cheque roubado de alguma pessoa ou coisa do tipo. Eu mostrei a ele a minha carteira de identidade, mas mesmo assim o cretino queria ficar com o cheque. Até que eu mostrei que o nome da identidade e do cheque era o mesmo. Mas ele fazia questão de ficar com cheque. Eu me irritei muito com isso; os malucos da minha quebrada não me roubavam, por que eu ia ser roubado pela a merda de um policial? A minha sorte foi porque o outro policial, talvez um pouco menos fedorento do que a bosta do outro policial, disse que eu era um trabalhador e que não poderia fazer aquilo. Aí ele me deixou em paz.
Mesmo tendo escapado daqueles dois bandidos eu tinha de aguentar a bronca do filho da mãe do meu patrão, por eu ter me atrasado cinco minutos. Todo dia eu saio de casa duas horas antes da hora de meu emprego começar. E mesmo assim, tinha dias que eu chegava até trinta minutos atrasado. Era uma droga. Como tinha dias que eu chegava uma hora antes de abrir a droga da fábrica.
Mas o que mais me irritava era levar uma lapada de chuva nas costas em pleno ponto de ônibus. Aquilo me irrita muito. Chego em casa todo molhado e a minha mulher me olha, com aqueles olhos lindos e castanhos que ela tem, e me diz a piadinha de sempre: “- Resolveu tomar um banho no rio de novo, amor?” ela bem sabe que a porcaria daquele rio não serve para se tomar banho, a poluição é muito e não tem condição nenhuma de se pescar, quanto mais tomar banho, naquele rio, no duro. Como eu ia dizendo eu odiava levar chuva esperando a droga do ônibus que demora pra cacete; quando eu chegava no trabalho todo molhado então os meus amigos quase morriam de ri. Mas eu tinha de ir ao trabalho e para isso eu tinha que pegar a droga do ônibus, afinal eu, minha mulher e os meus oito filhos precisam comer beber e vestir, mesmo que sejam estes farrapos de molambos que dá para comprar o dinheiro que eu ganho.
Outra coisa que me irrita bastante também é quando um dos nojentinhos dos meus filhos fica doente. Aí eu tenho que gastar aquele dinheiro que eu tinha guardado para comprar uns dois quilos de algum retalho de resto de carne para fazer um churrasco no ultimo final de semana do mês. Aliás, eu ainda não disse que minha mulher teve dez filhos. Agora só tem oito porque dois morreram. Um morreu de leptospirose e outro de pneumonia. Já avisei aos outros que não tomem muito banho nas encostas aqui perto, nem fique muito tempo na chuva. Tem muito rato aqui e se ficar muito tempo na chuva podem gripar, desta simples gripe podem pegar pneumonia ou algo do tipo e tudo. Eles além de ficarem de cama por uma semana, ainda acabam com a única diversão que podemos ter durante o mês. Ah! Tinha esquecido o futebol, mas o sinal de nossa televisão não era muito bom. Eu acho que era porque a gente mora aqui bem no pé do morro. De vez em quando tem uma enchente e os barrancos de terra desce sobre a nossa cabeça. Mas nós já nos acostumamos, quando é época de chuva forte mesmo, a gente vai morar debaixo de uma ponte que tem perto daqui. Por mim a gente ia morar lá de vez, lá além de não ter este problema de cair barranco, fica bem mais perto do meu trabalho, eu posso ir até de pé e tudo, no duro. Mas minha mulher fica falando que tem vergonha e tudo. Já mandei ela guardar a porra da vergonha dela no cu ou em outro lugar não que não dê pra saber que ela esteja ali. Nunca vi pobre ter vergonha, estas porcarias são luxos de ricos. Mas não vamos morar lá porque ela não quer. Tomara que um dia desses, quando a chuva aperte pra caralho e nós formos pra lá já tenha outra família, que chegou na nossa frente. Aí ela vai aprender onde guardar a porcaria da vergonha dela.
O pior é que todo dia é igual, todo dia é sempre a mesma coisa, com exceção de sábado e domingo é claro. Não sei porque ainda não inventaram uma lei pra botar a gente pra trabalhar no sábado e no domingo também. Rezo a Deus todos os dias pra que isso não aconteça, mas eu acho que logo, logo inventarão, eles sempre inventam leis pra beneficiar eles mesmos. Aqui é mesmo que nada rezar pedindo alguma coisa a Deus, nosso pedido nunca é atendido. Acho que é por causa dos homens daqui da terra, que travam na alfândega os nossos pedidos mandados por Deus. Deve ser por isso, não tenho nenhuma outra explicação. Deus não ia querer que a gente sofresse não é mesmo?
Não falei ainda como eu chego em casa. Mas vou falar, mesmo que alguém não queira ouvir. Eu vou lá na droga do ponto de ônibus e espero um bocado de tempo. Tem alguns dias que uns filhos da puta de uns filhinhos de papai param o carro e tacam ovo goro na gente. Além de chegar em casa nove, dez horas da noite a gente chega fedendo que só cu de puta de beira de estrada. Ontem mesmo eu fui atingido por uns três ovos enormes e bem fedorentos. Minha mulher e meus filhos nem vieram me receber como todo dia. Quer dizer, nos dias que eu chego sem feder em casa. É uma droga mesmo, mas até que não é tão ruim, pois eu já me acostumei com isso. Quando a gente se acostuma tudo fica bem melhor. Pelo menos os cretinos “lá da cúpula corrupta hipócrita e nojenta,” eu acho que já ouvi isto em alguma canção, talvez uma de Gabriel, o Pensador, nem lembro, não tenho rádio em casa; sim eu falava que pelo menos, os filhos da puta do congresso pelo menos nos dão uma saída pra este estado penoso que vivemos nos dão o costume, não é mesmo?
Eu vou dormir agora, estou muito cansado e preciso acordar amanhã às quatro e quarenta da madrugada. Meu trabalho começa às sete horas da manhã, e como eu já disse, tenho que sair de casa duas horas de começar a droga do meu emprego. Porque se não eu corro o risco de perder o meu emprego, e minha vida seria uma merda mais fedorenta do que a eu já vivo. Se amanhã eu tiver sorte não vou dá de cara com aqueles policias corruptos de novo, e se eu der não tem problema, já troquei meu cheque mesmo. Se eu não soubesse que ia levar uma semana de xadrez por isso, eu falava a eles quem são os verdadeiros vagabundos quando eles abordam o camarada. Eu diria tudinho, no duro; que os vagabundos são eles mesmos, as drogas dos deputados e senadores e tudo, no duro.   












Amauri Morais.